O Cine Alvorada é uma relíquia de concreto e veludo vermelho que a cidade de Santa Clara esqueceu de demolir. Ele sobrevive exibindo filmes de terror de baixo orçamento para uma plateia de insones e adolescentes entediados. Para Nika e Milla, primas com personalidades opostas, a "Sessão da Meia-Noite" deveria ser apenas mais uma sexta-feira de sustos baratos e pipoca velha.
Mas quando as luzes se acendem após os créditos finais de "O Estripador da Estrada", a realidade parece não ter reiniciado corretamente. A cidade lá fora está silenciosa demais. As ruas estão vazias demais. E o caminho curto de volta para casa — uma estrada de terra que corta por baixo do viaduto municipal — parece ter sido cenografado por alguém que entende muito de medo e pouco de misericórdia.
À medida que a caminhada se transforma em fuga, as garotas percebem que a quarta parede foi quebrada. O horror não ficou na tela; ele vazou. E o roteirista dessa noite não planejou um final feliz, nem sobreviventes. Elas não estão apenas voltando para casa; elas estão entrando no segundo ato de um filme que nunca termina.